segunda-feira, 15 de abril de 2013
"Che Parlino le Pietre"
E agora o Deixem Falar as Pedras foi publicado em Itália. Essa sensação é mais forte do que nunca.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Algum sossego
...
Entretanto, no último mês, escrevi um conto para a revista Egoísta. O título é: História de um Sorriso. Não sei ainda quando será publicado. Fico, sobretudo, curioso para ver a edição. A Egoísta é uma revista diferente de tudo, pela qualidade do grafismo, pela selecção dos autores e dos textos, pela força que exerce numa prateleira. Há muito tempo que queria escrever qualquer coisa para a Egoísta e fiquei contente com o convite da Patrícia Reis. Obrigado, Patrícia.
...
Há duas semanas estive no Colégio do Sagrado Coração de Maria (onde estudei 8 anos), pela segunda vez em menos de um ano. Desta vez, falei com alunos do 10º e 11º anos. Com adolescentes nunca é fácil. Ou melhor: não era habitual ser fácil. Porque agora tenho o Deixem Falar as Pedras, escrito na voz de um rapaz de 14 anos. E não tenho de fazer mais do que ler as primeiras páginas para encher de silêncio uma sala de 150 adolescentes. Levanto os olhos do livro no final das frases e percebo que eles percebem, eles sabem do que estou a falar, eles encontram-se nas palavras que escrevi. É uma sensação incrível.
...
E por falar em escolas, sinto que nas últimas semanas passo os dias a responder a convites de escolas e bibliotecas,livrarias, comunidades de leitores, tentando organizar o calendário de forma a que me restem dias para escrever o que quero escrever nos próximos tempos. Podem espreitar a Agenda no cimo da página. Ainda não está lá tudo, há 7ou 8 datas à espera de confirmação. Mas já dá para perceber que os próximos meses vão ser intensos.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Estes meses de silêncio
...
Nos últimos dois meses, apareceram algumas coisas sobre mim na imprensa, embora eu não publique um livro há mais de meio ano. Aqui vai.
No início de Dezembro, no suplemento anual da Visão, Visão Gourmet, há um artigo sobre a minha última ceia. Gostei muito dessa entrevista (orientada pela Sara Belo Luís), porque comer bem e cozinhar começam a tornar-se obsessões e reflectir sobre a minha última ceia antes de morrer ajudou-me a perceber que uma refeição só é completa quando existem mais pessoas sentadas à mesa. Toda a refeição que apresentei é, na verdade, composta por pratos da minha mãe e das minhas avós que eram frequentes na minha infância, quando havia sempre outras pessoas sentadas à mesa. Se não se cruzaram com esse artigo, vocês é que ficaram a perder, porque foi publicado acompanhado pela receita do Pudim de Ovos da minha avó Ilda.
Na última semana do ano, a Time Out fez uma reportagem sobre 11 pessoas com quem gostariam de jantar em 2012. Eu sou uma dessas 11. E fico feliz por me escolherem, pela confiança no meu trabalho, por me juntarem a todos aqueles nomes tão proeminentes.
No número 6 da revista Fonte, do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, a Maria Manuela Maldonado assina um ensaio/crítica sobre o Fabuloso Teatro do Gigante e sobre o Histórias Possíveis que gostei tanto de ler, pela atenção dada a alguns detalhes que foram importantes para mim quando escrevi esses livros. Mas gostei sobretudo de ler a carta tão bonita que me enviou, na qual fala sobre o Deixem Falar as Pedras, numa análise tão atenta e cuidada, e me dá a sua força para continuar a escrever. Obrigado, Maria Manuela. (Ainda não lhe respondi, mas vou fazê-lo, claro.)
E no Bibliotecário de Babel, o José Mário Silva incluiu o Deixem Falar as Pedras na lista do melhores livros de ficção de 2011. Aqui.
...
Não é tudo. Dois meses não se resumem a apenas isto. Há mais, mas agora não há tempo para tanto. Prometo mais regularidade.
E um Bom Ano a todos.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
E-book + nevoeiro no peito + Porto + 33

...
A tosse não passa. Ontem, numa nova radiografia ao tórax descobri que há neblina branca e esfiapada sobre o meu pulmão direito, como se fosse manhã cedo dentro do meu peito e o sol ainda não tivesse subido. Não parece mau tempo, tem aspecto de clima ameno, mas a tosse violenta que me provoca é de temporal.
Para os mais atentos: sim, é ainda o mesmo temporal que me assaltou há um mês atrás. O vento não tem soprado com a força necessária para levar com ele as nuvens.
...
Estive dois dias no Porto para a Feira do Livro. Primeiro no debate sobre Novos Autores Portugueses. A conversa foi óptima, mas quase poderia ter acontecido ali como no restaurante onde jantámos antes. Porque havia pouco mais de dez pessoas na assistência. E eu sei que estávamos a falar de coisas habitualmente chatas como são os livros e os escritores, e que era nove e meia da noite de uma sexta-feira, e que a dimensão da Feira do Livro do Porto é consideravelmente menor em relação à de Lisboa, e que nenhum dos convidados sentados à mesa era uma mega-estrela da literatura nacional. Mas, ainda assim, alguma coisa está a falhar. Tenho a certeza de que há mais gente no Porto e arredores interessada em assistir a uma conversa deste tipo. No entanto, por algum motivo obscuro, a mensagem não chegou a essas pessoas. E o problema não é só do Porto. Tem-me acontecido, de vez em quando, um pouco por todo o lado, mesmo fora de fronteiras.
No sábado houve autógrafos e conversa com amigos do Porto, escritores, editores, jornalistas e simples civis.
E também boa comida e óptimo tempo.
...
Ontem, no mesmo dia em que fiz a radiografia, fiz anos. Não me senti um ano mais velho, senti-me um ano com mais tosse.
Aproveito para agradecer todas as mensagens no facebook, e-mails, sms, telefonemas. É muito bom estar assim rodeado de amigos.
Quero partilhar duas mensagens que recebi. Uma do Paulo Freixinho, esse fanático inveterado das palavras cruzadas portuguesas, que me ofereceu este retrato.

E uma mensagem encriptada do Carlos da Cruz Luna:
SNÉBARAP!!!!!!!!!!!!
muito apropriada, claro, mas apenas perceptível para quem leu DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Aliás, em breve quero escrever aqui sobre essas duas páginas do romance.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Cata Livros + Comunidade de Leitores + Imprensa
Antes de mais, está finalmente operacional o site Cata Livros. O projecto é uma pareceria entre a Casa da Leitura e a Fundação Calouste Gulbenkian e disponibiliza uma série de livros em diferentes formatos. Entre leituras em voz alta, entrevista com autores, animações a partir de livros e outras actividades, é possível folhear as primeiras páginas de O TUBARÃO NA BANHEIRA e de OS QUATRO COMANDANTES DA CAMA VOADORA. Se quiserem tentar chegar lá sozinhos sem se perderem, na página inicial do Cata Livros, cliquem na janela desenhada num papel, depois, para a Cama Voadora, cliquem no avião de papel e, para o Tubarão, no barco de piratas de papel.
...
Um comentário à conversa sobre DEIXEM FALAR AS PEDRAS na Comunidade de Leitores da Almedina. Muitos tinham lido o livro, alguns, entre perguntas e opiniões, disseram-me que tinham gostado. E eu fiquei feliz. Mas fiquei mais feliz quando vários membro da comunidade se puseram a discutir, com algum fervor à causa, se a família do meu livro é ou não uma família desestruturada. Não houve consenso. E isso é muito bom quando se trata de um romance.
...
Deixo aqui a ligação para a (muito elogiosa) crítica a DEIXEM FALAR AS PEDRAS que o António Pedro Vasconcelos escreveu na sua crónica semanal no jornal Sol.
Há uma outra crítica a DEIXEM FALAR AS PEDRAS na edição de Junho da revista Blitz, pelo João Bonifácio.
No Atual desta semana, há crítica a A MALA ASSOMBRADA, pela Sara Figueiredo Costa.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Uma semana em jeito de relato
Ainda assim saí de casa na terça-feira e fui à livraria Barata para assistir à leitura de A MALA ASSOMBRADA pelos alunos do 3ºD da EB1 do Bairro de São Miguel. E gostei tanto. O livro a saltar de mãos, os ritmos diferentes da leitura, as pessoas que assistiam a sorrir. Já li o livro em voz alta muitas vezes e começo a ficar viciado em certos tiques de leitura e num tom que me sai por instinto. Foi muito bom ouvir a história noutras vozes, quase como se fosse outra história.
E no final houve autógrafos. Aqui fica o registo desse momento.

...
Para quem não deu conta (e acredito que muitos não tenham dado conta), a minha semana passada foi muito televisiva.
Duas vezes na TVI24, em dias seguidos (eu sei, é absurdo). Primeiro no Nada de Cultura, do Francisco José Viegas, com a Patrícia Reis, o Paulo Ferreira e o António Fiqueira, à conversa sobre contar histórias. Depois no Livraria Ideal, do João Paulo Sacadura, a falar sobre DEIXEM FALAR AS PEDRAS e A MALA ASSOMBRADA.
E ainda no Ah, a Literatura!, do Canal Q, da Catarina Homem Marques e do Pedro Vieira, filmado na Feira do Livro de Lisboa, num dia de sol e calor, e vim de lá a pensar que todos os programas na televisão deveriam ter a sua própria barraca de farturas porque os convidados, por mais ilustres, pareceriam mais pessoas com os dedos engordurados e a boca cheia de açúcar.
No jornal Público do último sábado, a Rita Pimenta critica assim A MALA ASSOMBRADA:
Dois irmãos. Um medroso (o mais velho) e um destemido. O primeiro quer assustar o segundo e inventa um fantasma fechado numa mala que encontrou em cima do muro de um casarão. O plano sai-lhe ao contrário. O irmão mais novo não só abre a mala, como o convence de que o fantasma, agora à solta, o persegue por toda a casa. Chega até a entrar nos canos. “Se estiveres calado, consegues ouvir os barulhos que o fantasma faz dentro das paredes.” Não é apenas uma história sobre os medos, invocando o sobrenatural (grato aos pequenos leitores), é também sobre a cumplicidade, a competição e a brincadeira entre irmãos. David Machado criou uma bela história. O talento de João M. P. Lemos consegue brilhar mesmo nas ilustrações mais sombrias… e as imagens vão bastante além da narrativa. Um aplauso especial para as páginas de fundo (quase sempre) escuro, cujos elementos surgem apenas em contorno. Sintetizam de forma exemplar as ideias a transmitir.
E o texto da Rita Pimenta deixa-me muito contente, sobretudo pelos piropos ao trabalho do João Lemos.
Por outro lado, parece que na edição de hoje do Sol, o António Pedro Vasconcelos escreve na sua coluna sobre DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Ainda não li. Mas disseram-me que ia gostar.
terça-feira, 10 de maio de 2011
As engrenagens
Primeiro, sobrevivi exausto a um fim-de-semana muito simpático na Feira do Livro de Lisboa. No sábado, sentado no centro do turbilhão da Praça Leya, comecei a perceber que a engrenagem do dito boca-a-boca já está em movimento à volta de DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Fico feliz, claro.
No domingo, houve teatro a partir de A MALA ASSOMBRADA para a criançada e o Espaço Cativar, à semelhança daquilo que tinha acontecido com O TUBARÃO NA BANHERA no ano passado, fez um trabalho notável na adaptação do livro.
Também no domingo, ao final da tarde, houve debate no Auditório da Feira sobre as escolhas dos melhores livros de ficção do último ano. (Para quem ainda não deu conta: há debates todas as tardes no Auditório da Feira.) A conversa (que não chegou ser conversa) era entre mim e o Manuel Alberto Valente (editor da Porto Editora), o Luís Ricardo Duarte (jornalista e crítico do Jornal de Letras) e o Sérgio Lavos (livreiro da Bulhosa de Campo de Ourique), moderado pelo José Mário Silva (crítico e jornalista do Expresso). Eu levei comigo livros de contos e tentei apresentá-los como se fossem diamantes que descobri por acaso entre a papelada dos romances. Aqui ficam os títulos (numa ordem ao acaso):
- Pássaros na boca, de Samantha Schewblin, Cavalo de Ferro;
- Um repentino pensamento libertador, de Kjell Askildsen, Ahab,
- Contos dos subúrbios, de Shaun Tan, Contraponto;
- Os objectos chamam-nos, Juan José Millás, Planeta;
- Break it down - Demolição, Lydia Davis, Ulisseia.
...
E na imprensa (essa outra engrenagem)...
No sábado, no jornal I, houve entrevista comigo sobre o meu método de escrita. E eu esqueci-me de comprar o jornal e ainda não vi aquele que me guardaram.
Já está disponível no youtube o programa Ler Mais Ler Melhor (da RTPN, apresentado pela Teresa Sampaio) sobre DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Podem ver aqui.
No blog Novos Livros, a secção 3 Perguntas a é sobre DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Espreitem.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Ponto de situação
Hoje, na Livraria Almedina do Atrium Saldanha, a Comunidade de Leitores orientada pela Filipa Melo vai trabalhar o DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Depois, no dia 25 eu próprio estarei presente para conversar com os participantes da comunidade sobre o meu livro e também sobre o livro de contos Pássaros na Boca, de Samantha Schewblin (leitura paralela sugerida por mim).
...
Amanhã de manhã vou estar no Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa, para conversas com os alunos sobre escrita e livros. E tenho o estômago cheio de minhocas, claro, porque foi neste colégio que fiz o liceu e é muito bom regressar, mas também é assustador e estranho.
...
Entretanto, na página do Ipsilon ficou disponível a crítica ao DEIXEM FALAR AS PEDRAS do dia 29 de Abril.
E há uma nova crítica ao livro na revista Os Meus Livros deste mês.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Recapitulando
A semana passada estive dois dias em Viana do Castelo, a convite da Biblioteca Muncipal, para a 2ª dos Contornos da Palavra, um festival literário que vai crescer. Este ano, o tema era Literatura de Viagens. No primeiro dia orientei duas oficinas de escrita criativa. Não estava seguro em relação a esta actividade, sobretudo porque se tratavam de alunos entre os 16 e os 18 anos e todos as oficinas que fiz até hoje foram com adultos. E depois as minhas preocupações cairam por terra assim que começámos os exercícios. Porque a imaginação deles é ampla e ao mesmo tempo controlada e a forma como usam as palavras é verdadeiramente eficaz, as frases apresentam múltiplas leituras e imagens poderosas, e sabem assimilar nas suas intenções as sugestões que recebem. Quero fazer isto mais vezes.
No segundo dia em Viana, falei com alunos do 9º ano de três escolas diferentes sobre literatura e viagens e li algumas páginas de DEIXEM FALAR AS PEDRAS. E tenho a sensação de que o gozo que me dá ler este livro para adolescentes nunca vai esmorecer.
...
Na passada sexta-feira foi publicado no Ipsilon, o suplemento de cultura do Público, um artigo de várias páginas sobre a nova geração de narradores portugueses na literatura e eu entre eles. Não me atrevo sequer a considerar a hipótese de que a minha fotografia na capa me coloque mais à frente que os restantes autores citados no artigo. E não quero passar a ideia de que a literatura que não encontra traves mestras na narrativa está condenada a desabar. A literatura de ficção, para minha enorme felicidade, é muitas coisas diferentes e para mim a narrativa é muitas vezes o mais importante, mas apenas enquanto autor. O leitor que sou quer percorrer mais caminhos para além desse.
Sobretudo, como noutras ocasiões semelhantes, fico feliz pelo interesse e confiança no meu trabalho e pelo apoio que recebi.
No mesmo Ipsilon vem uma crítica do João Bonifácio a DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Assim que estiver disponível deixo aqui a ligação.
...
Ontem, Feira do Livro, sessão de autógrafos na praça Leya. Não foi exactamente sessão de autógrafos porque dois autógrafos não é uma sessão de autógrafos. Mas estava a chover e era apenas o primeiro fim-de-semana da feira e há a questão da crise e as pessoas (eu incluído) deixam as compras para a happy-hour. Foi, ainda assim, uma tarde bem passada, à conversa com editores, autores, jornalistas e leitores que pararam na mesa onde estava sentado.

E consegui apanhar o final do debate no auditório da feira sobre o balanço editorial do ano na literatura infantil, moderado pela Sara Figueiredo Costa. E ainda bem porque estavam a debater-se coisas importantes, se é que nisto da literatura há coisas importantes.
...
Hoje de manhã estive na Escola Alemã do Estoril a falar com alunos do primeiro ciclo sobre livros e imaginação. Isto é, eu falava e em simultâneo alguns alunos traduziam o que eu dizia para alemão para aqueles que não compreendem português. E como noutras ocasiões em que precisei de intérprete fiquei com vontade de ter sempre um a acompanhar-me. Porque o pensamento ganha um outro ritmo, mais lento, mais atento, mais exacto.
...
E já está: esgotou-se o meu par de horas livres.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Notas avulsas
Ainda em relação ao lançamento de A MALA ASSOMBRADA, agradeço a todos os que apareceram, os que enviaram mensagens ou telefonaram. As vossas palavras fizeram-me bem. E agradeço também aos blogs, sites, jornais, revistas e bocas que anunciaram o lançamento e apregoaram a presença deste novo livro nas livraria.
Entretanto, na imprensa, as novidades são: crítica do Miguel Real no Jornal de Letras ao DEIXEM FALAR AS PEDRAS; artigo na NS (revista de sábado do Diário de Notícias) sobre os hábitos e manias dos escritores, entre eles eu.
Amanhã sigo para Viana do Castelo, onde vou estar, até quinta-feira, a fazer oficinas de escrita criativa e a falar com os mais pequenos sobre livros, escrita, imaginação.
E aproveito para lembrar que na quinta-feira começa a Feira do Livro de Lisboa e eu gosto da Feira e da multidão que a povoa e dos autores sentados ao sol à espera de uma página onde rabiscar uma dedicatória e dos livros, claro. As minhas datas para autógrafos na Feira já estão na Agenda (no cimo desta página). E também para um debate sobre o Balanço Editorial do último ano, no qual irei participar.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 8
Para além da crítica da Sara Figueiredo Costa, na Time Out, que já deixei aqui, há entrevistas:
no Jornal de Letras. Podem ler aqui, no blog A Volta do Parafuso, do jornalista do JL, Luís Ricardo Duarte.
no programa Câmara Clara diário, na RTP2. Vejam aqui, a partir dos 2:50 minutos.
no programa Ensaio Geral, da Maria João Costa, na Rádio Renascença, aos 8 minutos de programa. Oiçam aqui.
no programa À Volta dos Livros, da Ana Aranha, na Antena 1, aqui.
O Tito Couto sugeriu o romance, na sua rubrica «Muito Mais do que Livros», do programa Porto Alive, do Canal Porto, aqui (aos 3,50 minutos)
Os jornais Nova Aliança e Abarca fizeram reportagens sobre o dia em que visitei as escolas de Abrantes, onde falei para mais de 600 alunos, assinei mais de 150 livros e li, pela primeira vez em público, A MALA ASSOMBRADA. Nos dois artigos fala-se de DEIXEM FALAR AS PEDRAS.
Depois, apareceram referências, curtas ou extensas, ao romance, na Caras, na Focus, no Destak, no Correio do Minho, n'A Bola (uma estreia nos desportivos!), e no Fórum do Vale do Sousa (onde se faz um prognóstico simpático mas por enquanto disparatado).
Disseram-me que no programa Nada de Cultura, na TV24, o Miguel Real (que era convidado), recomendou a leitura de DEIXEM FALAR AS PEDRAS, o que me deixa feliz.
Espero que não fique por aqui. No entanto, se ficar, já me sinto de barriga cheia. Um grande abraço de gratidão a todos os que prestaram atenção ao meu livro.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 7
Ontem, durante o dia, várias pessoas, de viva voz ou por sms, me perguntaram: Estás nervoso? Eu não estava.
Eu estava nervoso quando pensei pela primeira vez em escrever o meu segundo romance, estava nervoso quando o primeiro capítulo ficou pronto e eu percebi que não sabia o que fazer depois, estava nervoso quando descobri o que fazer depois, estava nervoso quando a frase "Deixem falar as pedras" se levantou mais alto entre outras frases nas minha cabeça, estava nervoso quando o livro ficou escrito e começaram as revisões, os cortes, os acrescentos, e estava nervoso no momento em que decidi que já não eram necessários mais cortes e acrescentos. Mas ontem não estava nervoso. Ontem era dia de celebração, não havia motivos para estar nervoso.
Veio gente, amigos, família, amigos de amigos, professores de escolas que já visitei, leitores cujo único ponto de ligação comigo são os livros que escrevi. Sentei-me. Ao meu lado direito, estava a Maria do Rosário Pedreira, a minha editora, e só por isso senti-me mais confiante no meu lugar diante de várias dezenas de pessoas. (Quero muito contar a minha história com a Rosário, mas não agora.) Ao meu lado esquerdo, estava o Mário de Carvalho, o narrador (como me habituei a chamá-lo em silêncio), generoso nas suas palavras acerca do meu romance.
Senti-me feliz, no meio de tantas pessoas de quem gosto tanto. Senti-me mais feliz por vê-las com o meu livro nas mãos. Obrigado a todos os que apareceram, aos que enviaram mensagens e àqueles que, no seu silêncio, pensaram em mim.
terça-feira, 5 de abril de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 6
Quando se vêem as frases riscadas a marcador preto na capa, não se estranha. Mas quando, na página 16, surge a primeira rasura no próprio texto, percebe-se que o marcador preto não é só adorno, mas antes um signo para decifrar no próprio romance. Só mais à frente se perceberá que essas rasuras estão profundamente ligadas à ideia de mexer no passado, de o recuperar como memória e de lhe dar a forma de uma verdade pronta para entregar ao futuro.
E é essa a matéria de que David Machado se socorre para construir uma narrativa labiríntica, comovente e cheia de uma força que deve tanto à habilidade do narrador como à sua dedicação ao gesto de contar.
Às coisas importantes na vida de um adolescente, ou seja, miúdas (neste caso), música inaudível e roupa pouco amiga do ambiente, Valdemar juntará a presença do avô, Nicolau Manuel, que foi obrigado a instalar-se na casa do filho depois de ter sido encontrado, sozinho e com poucas capacidades, na casa da aldeia. A história da vida do avô, tão rocambolesca que se torna verosímil, alimentará Valdemar com a mesma intensidade que os primeiros beijos molhados com Alice, sua vizinha, e tornará avô e neto cúmplices de uma vingança que remonta à juventude de Nicolau e a um casamento que não chegou a acontecer. A passagem pelas prisões do salazarismo, o envolvimento forçado com a clandestinidade comunista e uma série interminável de azares que talvez não tenham sido só azares, mas armadilhas bem montadas, cruzam-se nas histórias contadas por Nicolau ao seu neto e por este narradas num caderno. E se essa trama principal, quebrada por várias digressões, tem força suficiente para sustentar um romance, a reflexão que a acompanha, sobre verdade e verosimilhança, sobre a memória e a sua perenidade, faz de Deixem Falar as Pedras um presságio, capaz de confirmar que a narrativa de uma história é a única condição para que esta se torne verdadeira.
segunda-feira, 28 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 4
Quatro dias depois de aparecer na livrarias, as façanhas de DEIXEM FALAR AS PEDRAS na imprensa são as que seguem enunciadas:
domingo, 20 de março de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 3

Gostava que fossem espreitá-lo. Segurem-no, primeiro com uma mão, depois com as duas. Passem os dedos sobre a capa. Não deixem de o folhear. Olhem para as páginas, para a tinta impressa nas páginas, para as palavras alinhadas. Se acharem importante, leiam-no. Gostava muito que o lessem.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Eu no Alto Minho
Hoje à tarde, numa sessão com alunos do 10º, 11º e 12º anos, li pela primeira vez o DEIXEM FALAR AS PEDRAS em voz alta para uma audiência. Já tinha lido dez linhas quando percebi o tremendo risco a que me estava a sujeitar. Umas das vozes do romance é de um rapaz de 14 anos, chamado Valdemar, problemático na escola e em casa, obeso, fanático de heavy-metal. Embora não seja um romance juvenil, enquanto escrevia, tentei encontrar o equilíbrio no tom entre o literário e o realista, sem nunca ter certezas sobre se um adolescente leitor se identificaria com a minha personagem. De modo que hoje, ao ler em público as primeiras dez páginas, acabei, sem querer, por forçar o romance à apreciação de quase uma centena de adolescentes.
Houve muito silêncio. Mas não o mesmo silêncio de alguns minutos antes, quando li um conto do HISTÓRIAS POSSÍVEIS, que pouco lhes disse. Era um silêncio mais forte, eles queriam falar mas alguma coisa dentro deles impedia-os. Queriam ouvir. De vez em quando respiravam mais alto, todos ao mesmo tempo. Riram-se algumas vezes, quando eu disse palavras como "cabrão", mas também em momentos em que o Valdemar é irónico e cínico na sua descrição dos acontecimentos. Depois de 10 minutos eu parei e disse: "Querem que continue?" Eles disseram que sim, baixinho. Eu continuei. No final bateram palmas (o que também não tinha acontecido na leitura anterior) e quando o aplauso terminou alguém perguntou quanto é que o livro custa. Eu não sei quanto é que o livro custa. Eles levantaram-se e saíram. Eu estava feliz, mas acho que eles não deram conta.
Amanhã há mais sessões aqui nos Arcos. Ainda bem.
domingo, 13 de março de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 2
Deixo-vos a sinopse (que já anda por aí a circular noutros blogues e sites) que vem escrita na contra-capa do livro.
domingo, 6 de março de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 1

Eu queria escrever um livro sobre a memória e sobre o passado e também sobre um alfaiate, porque são tudo coisas que me fascinam há anos (enfim, façamos uma ressalva à alfaiataria, que é um interesse recente que se avolumou com a escrita deste livro).
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Nas Correntes...
Foi bom estar com amigos. Foi bom fazer novos amigos. Houve algum trabalho que não pareceu trabalho e noites longas que pareceram curtas. As intervenções nas mesas das sessões a que assisti foram quase sempre interessantes, algumas inspiradoras, embora eu não acredite na inspiração.
A minha prestação na mesa com o tema "A obra que faço é minha" correu muito bem mas foi, ao contrário do que o público presente possa ter pensado, atribulada. Na noite anterior tinha bebido uma cerveja a mais do que aquilo que talvez seja a minha conta certa e dormi cerca de quatro horas (do meu companheiro de quarto, um tal de João Tordo, vou apenas referir que, quando se foi deitar meia hora depois de mim, se esqueceu de fechar a porta do quarto). Acordei perto das oito da manhã em piloto automático, mais de uma hora antes da hora programada para o despertador do telemóvel tocar. Levantei-me. E não voltei a parar. Até ao fim do dia não consegui um único par de horas seguido para uma sesta. Estive na EB 2/3 Cego do Maio durante a manhã.Depois assisti ao lançamento dos novos romances do João Paulo Cuenca (um novo amigo) e do João Paulo Borges Coelho. Depois almoço. Depois assisti à mesa das 15.00. De modo que às 17.30, quando começou a minha mesa, o meu estado físico era como entende: dor de cabeça, sono e um cansaço que me pesava sobre o corpo todo. E como se isso não bastasse, ainda não estava a falar há trinta segundos quando senti os nervos estremecerem entre os ossos e a voz. Não me costuma acontecer. Pousei o papel onde levava a minha apresentação escrita, porque a mão me tremia e os olhos não conseguiam focar as linhas. Não me engasguei e não me enganei. Disse tudo o que tinha pensado dizer. As pessoas riram nas partes em que eu imaginei que se iriam rir, ficaram em silêncio, a escutar, nas outras. Tanto quanto sei, ninguém deu conta do meu sono, da dor de cabeça e dos nervos. No final houve aplausos, senti alívio, algumas pessoas vieram falar comigo, deram-me os parabéns, duas pediram-me o papel com o texto da minha apresentação. Não dei o papel, mas prometi que publicaria o texto neste blog, porque eu também gosto muito do que escrevi, e nos próximos dias isso vai acontecer.
Mas para mim, o melhor destas Correntes foi, claro, apresentar o meu novo romance. DEIXEM FALAR AS PEDRAS esteve à venda durante cinco dias apenas na livraria do festival, as pessoas puderam conhecer-lhe as formas, pegar nele, sentir os relevos da capa, folheá-lo, ler um par de parágrafos. Algumas compraram-no, talvez o estejam a ler neste momento, este pensamento deixa-me feliz. Dei alguns autógrafos, não ia preparado para isso, não tinha pensado nas dedicatórias que quero escrever na primeira página deste livro, espero não ter escrito disparates. O livro volta a esconder-se durante as próximas semanas e só estará de novo à venda dia 21 de Março, desta vez em todas as livrarias do país. Por isso ainda não é desta vez que vou falar dele.
Houve também a entrevista à Maria João Costa, da Rádio Renascença. Era eu e o Paulo Ferreira (autor do romance "Onde a Vida se Perde") e o João Paulo Cuenca. Pode ser ouvida aqui.
O meu balanço da minha primeira participação nas Correntes resume-se numa palavra. Disse-a entre os agradecimentos que fiz no início da minha intervenção na mesa de sexta-feira. A palavra é "conforto". Durante os três dias que passei na Póvoa do Varzim, senti um enorme conforto. E este post é dedicado à Manuela Ribeiro e ao Francisco Guedes, os organizadores do festival, incansáveis, dedicados, solidários, sempre presentes, como se tivessem o poder da desmultiplicação, agora meus amigos. Agradeço-lhes por me terem convidado e pela forma animada que usaram para me receber.
Quero voltar no próximo ano, quero voltar em todos os anos, sentado a uma mesa em cima do palco ou numa cadeira entre a assistência. Desde que esteja lá, o lugar será pouco importante.

