sexta-feira, 13 de maio de 2011
Estes dias
Hoje estive em Salvaterra de Magos para falar com alunos de esolas do concelho. Fiz três sessões. Foram as últimas sessões que fiz este ano (lectivo). Li A MALA ASSOMBRADA. Os miúdos disseram-me que não lhes meteu medo. Mesmo assim tinha esperança de que numa madrugada destas acordem com um pesadelo. Disse-lhes isso. Eles responderam que um pesadelo com A MALA ASSOMBRADA seria um bom pesadelo. Eu sorri.
E faltam dois dias para terminar a Feira do Livro de Lisboa. Amanhã, sábado, 14 de Abril, às 17:00, na praceta da Editorial Presença, há teatro a partir de A MALA ASSOMBRADA pelo Espaço Cativar. Depois, eu e o João Lemos vamos estar disponíveis para autógrafos e conversa.
Antes, às 16:00, conto estar na Praça Verde da Feira para o lançamento do novo projecto do meu estimado amigo e ilustrador de O TUBARÃO NA BANHEIRA, Paulo Galindro. Na verdade, são dois novos livros - Sabes que também podes ralhar com os teus pais? e Sabes onde é que os teus pais se conheceram?. Os textos são da Maria Inês de Almeida. Na editora Booksmile. E isto faz-me lembrar a promessa que fiz a mim próprio há coisa de dois anos: arranco um dente se não volto a trabalhar com o Paulo Galindro.
Segunda-feira dou a última aula da oficina de escrita de livro infantil na Escrever Escrever. A próxima oficina será só em Outubro.
Depois, para além de uma ou outra apresentação de livros e autógrafos, vou sair de cena. Há outras prioridades que se impõem. As palavras vão ter que esperar, embora haja dois livros para terminar. Espero que o verão seja longo, que o tempo me permita espaço para tudo. Espero conseguir continuar a aparecer por aqui sempre que me apeteça aparecer por aqui.
Isto não é uma despedida, claro. A última semana de aulas nunca era exactamente uma despedida.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Desejo secreto: quero que as crianças não consigam dormir à noite por causa de A MALA ASSOMBRADA
O João Lemos, eu, a Inês Mourão (da Editorial Presença) e o Rui Zink.
Ontem, o lançamento deixou-me feliz. Havia pessoas vindas de vários lugares e tempos da minha vida. De alguma forma, fez muito sentido vê-las assim, todas de uma vez, todas reunidas. Havia também pessoas que me conhecem mas que eu não conheço, leitores de outros livros que escrevi. É bom saber que confiam em mim o suficiente para virem celebrar comigo um livro que ainda não leram.
O Rui Zink falou sobre o livro, dissecou-o, atravessou os principais temas que aborda e depois atirou-se aos detalhes do texto e da ilustração. Uns minutos depois, eu expliquei os motivos que me levaram a convidá-lo para apresentar A MALA ASSOMBRADA. Quando eu tinha quinze anos, vi pela primeira vez A Noite da Má Língua. Pareceu-me hilariante, embora não percebesse metade das piadas que eles faziam, e quis saber quem eram aquelas pessoas. Descobri que dois eram escritores e que um desses escritores se chamava Ruizinho. Na altura pensei que um escritor chamado Ruizinho só podia ser autor de livros infantis. O meu equívoco durou uma ou duas semanas. Ainda assim, tantos anos depois, de alguma forma fazia todo o sentido ter o Ruizinho a apresentar o meu novo livro para crianças.
Eu e o João Lemos falámos sobretudo sobre o processo de trabalho neste livro. Já o disse antes por estas paragens: a colaboração entre o escritor e o ilustrador tem de ser total. Em muitos livros ilustrados que são publicados, os dois autores nunca trocaram mais do que um ou dois breves e-mails. Isso é uma loucura, é uma falta de respeito pelo livro e pelos leitores. A comunicação entre mim e o João foi constante e todas as decisões importantes foram tomadas a duas vozes. Até ao final do trabalho. Uma vez, uma ilustradora disse-me que não deixava que o escritor se metesse nas ilustrações porque ela também não se tinha metido na escrita. Eu percebo isso, mas é uma premissa falsa. Porque na realidade o texto deve meter-se na ilustração e a ilustração deve meter-se no texto. Neste livro, o processo foi o mais habitual: eu escrevi o texto, depois o João Lemos ilustrou. E nesse ponto, fizemos algo nada habitual: eu revi o texto e cortei ou reescrevi algumas frases, já tendo em conta a parte visual da história. E fica feito o aviso: não volto a trabalhar de outra forma.
Para terminar, deixo aqui as primeiras quadras do livro (não é um poema, mas o texto está estruturado em grupos de quatro linhas), pode ser que depois vos apeteça ler mais.
Ao fundo da nossa rua, depois de todas as casas, depois de todas as árvores,
depois do campo de ervas altas e do ribeiro de água gelada,
há um muro. E atrás do muro, há um casarão,
velho e abandonado, torto e escuro, onde ninguém vive.
Todas as tardes, quando regresso da escola, passo ao lado do muro.
E não gosto. Porque tenho um bocadinho de medo do casarão.
Se não fosse o muro teria muuuuuito medo do casarão.
Seja como for, uma tarde, estava uma mala em cima do muro.
Era uma mala pequena, com a pele gasta e uma fechadura ferrugenta.
Tentei abri-la, claro, mas sem a chave respectiva não fui capaz.
Sacudi-a e pareceu-me vazia. E nesse momento tive uma ideia.
Eu ia usar a mala para meter medo ao meu irmão.
Dragões e ladrões, tempestades, aranhas e leões:
o meu irmão não tem medo de nada.
E ele só tem cinco anos.
(Eu tenho nove. E assusto-me com tudo.)
terça-feira, 12 de abril de 2011
Lançamento de A MALA ASSOMBRADA
Aqui fica o convite (oficial).
segunda-feira, 11 de abril de 2011
E agora A MALA ASSOMBRADA
É hora de falar sobre A MALA ASSOMBRADA. O livro está pronto, tenho-o aqui ao pé de mim e só por isso sou mais feliz.
Antes de mais, a capa:
O livro estará à venda nas livrarias a partir de 19 de Abril. E nesse mesmo dia haverá uma sessão de lançamento, com apresentação do Rui Zink (deixarei aqui mais informação nos próximos dias).
sexta-feira, 8 de abril de 2011
DEIXEM FALAR AS PEDRAS 7
Ontem, durante o dia, várias pessoas, de viva voz ou por sms, me perguntaram: Estás nervoso? Eu não estava.
Eu estava nervoso quando pensei pela primeira vez em escrever o meu segundo romance, estava nervoso quando o primeiro capítulo ficou pronto e eu percebi que não sabia o que fazer depois, estava nervoso quando descobri o que fazer depois, estava nervoso quando a frase "Deixem falar as pedras" se levantou mais alto entre outras frases nas minha cabeça, estava nervoso quando o livro ficou escrito e começaram as revisões, os cortes, os acrescentos, e estava nervoso no momento em que decidi que já não eram necessários mais cortes e acrescentos. Mas ontem não estava nervoso. Ontem era dia de celebração, não havia motivos para estar nervoso.
Veio gente, amigos, família, amigos de amigos, professores de escolas que já visitei, leitores cujo único ponto de ligação comigo são os livros que escrevi. Sentei-me. Ao meu lado direito, estava a Maria do Rosário Pedreira, a minha editora, e só por isso senti-me mais confiante no meu lugar diante de várias dezenas de pessoas. (Quero muito contar a minha história com a Rosário, mas não agora.) Ao meu lado esquerdo, estava o Mário de Carvalho, o narrador (como me habituei a chamá-lo em silêncio), generoso nas suas palavras acerca do meu romance.
Senti-me feliz, no meio de tantas pessoas de quem gosto tanto. Senti-me mais feliz por vê-las com o meu livro nas mãos. Obrigado a todos os que apareceram, aos que enviaram mensagens e àqueles que, no seu silêncio, pensaram em mim.
