Três semanas de silêncio aqui no blog para: 1) Voltar a trabalhar no romance que ficou pendurado durante as férias. 2) Gerir a desarrumação da casa por causa das obras que fizemos numa das divisões. 3) Não sou capaz de identificar exactamente um terceiro motivo, é mais uma longa soma de pequenos motivos diários.
Entretanto, as obras terminaram, restou a desarrumação e uma poeira fina que andou vários dias a pairar no ar e por fim assentou em tudo o que há na casa.
E o romance avançou. Isso era importante para mim. Durante as férias escrevi pouco mais de cinco páginas, as ideias e as palavras acumularam-se e andava engasgado.
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Por outro lado, a agenda do próximo ano começa a assumir contornos. Em breve deixo aqui as visitas a escolas e bibliotecas já confirmadas. Há também dois ou três projectos com os quais já aceitei colaborar, no entanto, ainda é cedo para falar sobre isso.
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E o José Mário Silva colocou finalmente no seu blog a recensão que escreveu sobre DEIXEM FALAR AS PEDRAS na revista LER de Junho.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
No último mês
No último mês o mundo deixou de existir temporariamente. Em quatro semanas de férias ligámo-nos à internet por pouco mais de uma hora repartida por duas ocasiões. Nas duas primeiras semanas, não ligámos a televisão uma única vez e depois disso assistimos ao telejornal umas três ou quatro noites. Um dia comprámos o jornal mas mal o abrimos. De modo que os emails acumularam-se até ao disparate e soubemos dos motins no Reino Unido quando já tudo estava em paz e ainda hoje não sei o resultado dos jogos que a seleção portuguesa fez nem os do início do campeonato. Não foi propositado. Mas para o ano que vem será.
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Não costumo falar aqui de leituras, mas nas últimas semanas li livros cujos títulos sinto que devo partilhar.
You shall know our velocity, de Dave Eggers (em Portugal está publicado na Quetzal)
The autograph man, de Zadie Smith (em Portugal na Dom Quixote)
The history of love, de Nicole Krauss (em Portugal na Dom Quixote)
The broom of the system, de David Foster Wallace (em Portugal ainda nenhum editor deu conta de que há um buraco nas prateleiras das livrarias e que só este autor lá cabe)
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E depois de três meses (juro, foram três meses) e várias peripécias , chegou no correio esta preciosidade:
o autor é favorito cá em casa e mesmo que fossem apenas meia dúzia de páginas a expectativa seria idêntica.
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Não costumo falar aqui de leituras, mas nas últimas semanas li livros cujos títulos sinto que devo partilhar.
You shall know our velocity, de Dave Eggers (em Portugal está publicado na Quetzal)
The autograph man, de Zadie Smith (em Portugal na Dom Quixote)
The history of love, de Nicole Krauss (em Portugal na Dom Quixote)
The broom of the system, de David Foster Wallace (em Portugal ainda nenhum editor deu conta de que há um buraco nas prateleiras das livrarias e que só este autor lá cabe)
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E depois de três meses (juro, foram três meses) e várias peripécias , chegou no correio esta preciosidade:
o autor é favorito cá em casa e mesmo que fossem apenas meia dúzia de páginas a expectativa seria idêntica.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
E-book + nevoeiro no peito + Porto + 33
Antes de mais, fica aqui o convinte para aparecerem hoje à noite no Chapitô para uma conversa sobre o e-book, no âmbito do ciclo Para Acabar de Vez com a Leitura. Sou eu, o Carlos da Veiga Ferreira, o José Mário Silva, o Miguel Miranda, o João Tordo (embora o nome dele não apareça no cartaz) e o Nuno Seabra Lopes. A moderação é da Eurídice Gomes.

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A tosse não passa. Ontem, numa nova radiografia ao tórax descobri que há neblina branca e esfiapada sobre o meu pulmão direito, como se fosse manhã cedo dentro do meu peito e o sol ainda não tivesse subido. Não parece mau tempo, tem aspecto de clima ameno, mas a tosse violenta que me provoca é de temporal.
Para os mais atentos: sim, é ainda o mesmo temporal que me assaltou há um mês atrás. O vento não tem soprado com a força necessária para levar com ele as nuvens.
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Estive dois dias no Porto para a Feira do Livro. Primeiro no debate sobre Novos Autores Portugueses. A conversa foi óptima, mas quase poderia ter acontecido ali como no restaurante onde jantámos antes. Porque havia pouco mais de dez pessoas na assistência. E eu sei que estávamos a falar de coisas habitualmente chatas como são os livros e os escritores, e que era nove e meia da noite de uma sexta-feira, e que a dimensão da Feira do Livro do Porto é consideravelmente menor em relação à de Lisboa, e que nenhum dos convidados sentados à mesa era uma mega-estrela da literatura nacional. Mas, ainda assim, alguma coisa está a falhar. Tenho a certeza de que há mais gente no Porto e arredores interessada em assistir a uma conversa deste tipo. No entanto, por algum motivo obscuro, a mensagem não chegou a essas pessoas. E o problema não é só do Porto. Tem-me acontecido, de vez em quando, um pouco por todo o lado, mesmo fora de fronteiras.
No sábado houve autógrafos e conversa com amigos do Porto, escritores, editores, jornalistas e simples civis.
E também boa comida e óptimo tempo.
...
Ontem, no mesmo dia em que fiz a radiografia, fiz anos. Não me senti um ano mais velho, senti-me um ano com mais tosse.
Aproveito para agradecer todas as mensagens no facebook, e-mails, sms, telefonemas. É muito bom estar assim rodeado de amigos.
Quero partilhar duas mensagens que recebi. Uma do Paulo Freixinho, esse fanático inveterado das palavras cruzadas portuguesas, que me ofereceu este retrato.

E uma mensagem encriptada do Carlos da Cruz Luna:
SNÉBARAP!!!!!!!!!!!!
muito apropriada, claro, mas apenas perceptível para quem leu DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Aliás, em breve quero escrever aqui sobre essas duas páginas do romance.

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A tosse não passa. Ontem, numa nova radiografia ao tórax descobri que há neblina branca e esfiapada sobre o meu pulmão direito, como se fosse manhã cedo dentro do meu peito e o sol ainda não tivesse subido. Não parece mau tempo, tem aspecto de clima ameno, mas a tosse violenta que me provoca é de temporal.
Para os mais atentos: sim, é ainda o mesmo temporal que me assaltou há um mês atrás. O vento não tem soprado com a força necessária para levar com ele as nuvens.
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Estive dois dias no Porto para a Feira do Livro. Primeiro no debate sobre Novos Autores Portugueses. A conversa foi óptima, mas quase poderia ter acontecido ali como no restaurante onde jantámos antes. Porque havia pouco mais de dez pessoas na assistência. E eu sei que estávamos a falar de coisas habitualmente chatas como são os livros e os escritores, e que era nove e meia da noite de uma sexta-feira, e que a dimensão da Feira do Livro do Porto é consideravelmente menor em relação à de Lisboa, e que nenhum dos convidados sentados à mesa era uma mega-estrela da literatura nacional. Mas, ainda assim, alguma coisa está a falhar. Tenho a certeza de que há mais gente no Porto e arredores interessada em assistir a uma conversa deste tipo. No entanto, por algum motivo obscuro, a mensagem não chegou a essas pessoas. E o problema não é só do Porto. Tem-me acontecido, de vez em quando, um pouco por todo o lado, mesmo fora de fronteiras.
No sábado houve autógrafos e conversa com amigos do Porto, escritores, editores, jornalistas e simples civis.
E também boa comida e óptimo tempo.
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Ontem, no mesmo dia em que fiz a radiografia, fiz anos. Não me senti um ano mais velho, senti-me um ano com mais tosse.
Aproveito para agradecer todas as mensagens no facebook, e-mails, sms, telefonemas. É muito bom estar assim rodeado de amigos.
Quero partilhar duas mensagens que recebi. Uma do Paulo Freixinho, esse fanático inveterado das palavras cruzadas portuguesas, que me ofereceu este retrato.

E uma mensagem encriptada do Carlos da Cruz Luna:
SNÉBARAP!!!!!!!!!!!!
muito apropriada, claro, mas apenas perceptível para quem leu DEIXEM FALAR AS PEDRAS. Aliás, em breve quero escrever aqui sobre essas duas páginas do romance.
terça-feira, 31 de maio de 2011
As palavras e os números
Não foram as palavras que se esgotaram. Antes pelo contrário: as palavras acumulam-se em encadeamentos distintos e paralelos. Foi o tempo, claro. Não só o tempo dos relógios, mas também o tempo na cabeça, que se estreitou muito por causa das aglomerações de palavras. Fica, como explicação, um (micro-)conto sobre matemática:
Éramos três cá em casa. Agora somos quatro.
A diferença - 1 - é enorme, é o espaço todo, é uma vida inteira, são todas as palavras e o próprio significado das palavras, que se alterou e expandiu.
(A emissão segue já de seguida.)
Éramos três cá em casa. Agora somos quatro.
A diferença - 1 - é enorme, é o espaço todo, é uma vida inteira, são todas as palavras e o próprio significado das palavras, que se alterou e expandiu.
(A emissão segue já de seguida.)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Os meus pulmões, A MALA ASSOMBRADA e autores portugueses
Estou sentado no sofá. Tenho um chá bem quente ao lado, uma pastilha para as dores de garganta debaixo da língua e uma manta em cima das pernas. Estou assim há nove dias. Primeiro pensei que fosse uma alergia (já aconteceu antes), depois pensei que fosse uma gripe (já aconteceu antes), depois pensei que fosse uma gripe muito forte (também já aconteceu antes). A medicação tem sido adaptada com prudência às diferentes possibilidades. Contas por alto, no total tomei uns quarenta comprimidos. O meu estado é exactamente igual ao do primeiro dia: nem melhor, nem pior. Tenho a sorte de as escolas estarem encerradas para férias da Páscoa e de ter a digressão suspensa por duas semanas.
Só para dar final a este episódio (mas não há minha convalescença), digo que hoje estive no hospital: infecção pulmonar: antibiótico.
(Nota: Espero que tenha sido a última vez que dei uma entrevista ao telefone na sala de espera das urgências. Para que conste, interrompi uma resposta para fazer uma radiografia e depois retomei.)
...
Aproveito para relembrar que é amanhã (19 de Abril), às 18:30, o lançamento de A MALA ASSOMBRADA. Na livraria Bertrand do Picoas Plaza. Com apresentação do Rui Zink.
Apareçam. Tragam a criançada.
...
Quarta-feira vou estar na livraria Bulhosa de Campo de Ourique, à conversa com o Pedro Vieira, o Afonso Cruz e o João Tordo, sobre novos autores portugueses. Com moderação de Sérgio Lavos.
Apareçam. Tragam a criançada, se for criançada dada a coisas sobre novos autores portugueses.
Só para dar final a este episódio (mas não há minha convalescença), digo que hoje estive no hospital: infecção pulmonar: antibiótico.
(Nota: Espero que tenha sido a última vez que dei uma entrevista ao telefone na sala de espera das urgências. Para que conste, interrompi uma resposta para fazer uma radiografia e depois retomei.)
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Aproveito para relembrar que é amanhã (19 de Abril), às 18:30, o lançamento de A MALA ASSOMBRADA. Na livraria Bertrand do Picoas Plaza. Com apresentação do Rui Zink.
Apareçam. Tragam a criançada.
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Quarta-feira vou estar na livraria Bulhosa de Campo de Ourique, à conversa com o Pedro Vieira, o Afonso Cruz e o João Tordo, sobre novos autores portugueses. Com moderação de Sérgio Lavos.
Apareçam. Tragam a criançada, se for criançada dada a coisas sobre novos autores portugueses.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Sobre rabiscar em livros
A mão ainda me dói. Passaram-se umas quarenta horas mas a mão ainda me dói. Segunda-feira estive em Ílhavo, a convite da Biblioteca Municipal, onde fiz três sessões com alunos do concelho, duas em escolas, uma na pópria biblioteca. As sessões correram como vem sendo hábito: os alunos espantam-se com as barbaridades que digo sobre literatura e imaginação, entusiasmam-se com as histórias e episódios que conto, às vezes tenho que esperar um ou dois minutos por novo silêncio para conseguir voltar a falar, no final fazem muitas perguntas, algumas que levam preparadas de antemão, outras improvisadas no momento (gosto mais destas). Entre sessões costumo conversar com os professores ou com as pessoas da biblioteca, faço e antendo telefonemas que não podem esperar. No entanto, desta vez, entre sessões, tudo o que fiz foi ficar sentado no mesmo lugar a autografar livros que alguém, diligentemente, me colocava à frente. No total, dei 200 autógrafos, com respectiva dedicatória. De modo que os tendões da mão direita ainda se ressentem, o pulso continua dorido. É uma dor boa, claro.
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